A CORUJA, O MASTODONTE, O FAZEDOR DE BURACOS E OUTROS MISTÉRIOS

Capítulo 10: Peter Hans, Universidade de Genebra, Genebra, Suíça

Texto criptografado.

Emmanuelle,

Não preciso dizer como fiquei aflito ao ler o pequeno recorte de jornal com a notícia sobre o mastodonte.

Como sabe, isto pode tornar-se um problema para nós.

A novidade espalhou-se de tal forma que não tenho feito outra coisa que atender ligações nervosas de nossos clientes. Todos indagam sobre o destino de seus haveres, pois, como sabe, a maior parte já se encontra assentada em seus lugares definitivos.

Depois de nosso último contato, concluímos que seria melhor despachar o estoque para as galerias já terminadas.

Vejo, agora, que talvez nos tenhamos precipitado, porque a descoberta dos tais fósseis pode gerar um interesse excessivo na obra. As autoridades poderão determinar a abertura dos trechos já lacrados para novas inspeções, e isso nos causaria transtornos sem precedentes.

Por motivo de segurança, decidimos adiar a operação Pégaso. O vazamento do fato seria muito inconveniente neste momento.

Peter.”


Capítulo 11: Antônio Joaquim, Alfama, Lisboa, Portugal

Esta noite, acompanhei meu amigo Mathias ao aeroporto.

Não houve jeito de fazê-lo desistir da empreitada, ainda mais depois que conversou ele com o cientista inglês com o qual esteve na expedição às Terras Árticas. Sei lá o que lhe disse o inglês, mas, se meu amigo já estava embriagado com a ideia, o outro deu-lhe o resto de encorajamento de que precisava. Pelo que me disse Mathias sobre o homem, deve ser um tolo como ele, pois, segundo me contou, o cientista tinha-o, a ele, por muito sábio. Pode um imaginar algo igual? Com certeza será um desmiolado também. Que outro tipo de gente haveria de enfiar-se no fim do mundo, a explorar terras desabitadas e cobertas de gelo? Que interesse pode ter um homem de juízo numa coisa dessas?

Por mais que me esforçasse, não consegui mostrar bons ânimos na despedida de meu amigo.

Estava eu deveras aborrecido como tudo isso. E mais aborrecido fiquei porque não alcancei convencê-lo a deixar o pobre Frederico a meus cuidados. Que pena sinto dele. Meter a ave a viajar para terras de fora sem nenhum conforto e a correr todos os perigos. Mas não houve maneira. Mathias chegou a ofender-se, pois já não entendia a vida sem a companhia de Frederico e não aguentava separar-se dele um dia só que fosse.

Que podia fazer eu?

Resignei-me e fiquei a acenar-lhe enquanto o via desaparecer atrás do portão de embarque, depois que acomodamos o Frederico na embalagem apropriada. Arrepio-me todo só de pensar no coitado espremido naquela caixinha ou seja lá como se chame.

Paciência.

Prometeu-me Mathias que haveria de telefonar-me todos os dias para pôr-me ao pé das novidades e de seus progressos.

Que o Altíssimo o acompanhe!

Há de necessitar de seus préstimos.

(continua)

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