A CORUJA, O MASTODONTE, O FAZEDOR DE BURACOS E OUTROS MISTÉRIOS

Capítulo 6: Frederico, Bairro Alto, Lisboa, Portugal

Mathias passou o dia ao lado do telefone, esperando uma ligação do estrangeiro. Aguardava resposta de um companheiro seu, um cientista inglês, segundo entendi da conversa telefônica que, ontem, manteve com o tal homem. Mathias o conheceu naquela expedição às terras do Ártico. Não imaginava que se tinham tornado tão amigos.

Embora eu, mais do que qualquer outro, conheça as virtudes de Mathias, sou forçado a admitir que meu amigo possa parecer um tanto excêntrico. Poucos conseguem identificar a grandeza de espírito escondida por trás de sua expressão ingênua. À primeira vista, poderiam tomá-lo por tolo, mas já vi coisas que me convenceram de que o homem que me encontrou esconde um sábio dentro dele, à sua maneira, é claro.

Pois tão pronto o telefone tocou, ele estava à postos. A resposta do inglês deve ter saído a contento, porque Mathias abriu um amplo sorriso no rosto largo e corado.

Não posso descrever como se passou a conversação, pois claro está que o único idioma humano que me é familiar é a língua portuguesa. Os detalhes do que pedira meu amigo ao cientista estrangeiro ele mesmo me contou depois. Logo, presumo que breve serei informado do conteúdo da recente ligação.

(esforçou-se meu amigo, diga-se, em enriquecer meu privilegiado cérebro de rapinante com esclarecimentos sobre a importância das ciências e dos cientistas, ambos os conceitos soando, a princípio, um tanto complexos, eu reconheço; entretanto, se bem conheço Mathias, não se dará por vencido até que eu me torne um perito no assunto - ele trata meus estudos com grande seriedade)

O que posso afiançar é que, se Mathias está alegre e satisfeito, isso terá relação com a viagem que faremos, o que me leva a concluir, sem erro, que Antônio ficará aborrecido com o desfecho da coisa. Como já disse aqui, o africano é radicalmente contra a ideia de meu amigo ir juntar-se às tais escavações no fundo do mar.

Problemas à vista.


Capítulo 7: Emmanuelle, Reichstag - Palácio do Parlamento, Berlim, Alemanha

Texto criptografado.

“Peter,

Nossos sócios pensam ser aconselhável recusar novos contratos temporariamente, uma vez que teremos uma grande demanda vinda dos financiadores do projeto. Talvez tenhamos escassez de matéria-prima. Se a cunhagem das moedas seguir no ritmo atual, logo nossos estoques terão terminado.

Já consultei Grigot sobre a possibilidade de recorrermos às reservas Pégaso, os cofres lacrados da Segunda Grande Guerra. Ele argumentou que muitos interesses seriam contrariados, se a notícia vazasse. Contudo, dado que o montante total depositado é de nosso conhecimento apenas, não vejo como isso poderá causar-nos problemas.

De qualquer modo, o cliente do Catar deve ser atendido, obviamente. Sua Alteza merece toda nossa deferência.

Enviarei instruções. Aguardamos agora a conclusão do trecho final da galeria subterrânea.

Emmanuelle.”

(continua)

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